Como reparar uma telha partida?
Substituir uma telha partida é um trabalho simples de descrever e exigente de fazer em segurança: levantam-se as telhas que a cobrem, retiram-se os pedaços, entra a telha nova pela mesma ordem e refaz-se apenas a argamassa que existia. Só faz sentido em cobertura de baixa altura, com tempo seco, com apoio no ripado e nunca com o peso apoiado nas telhas. Numa cobertura alta ou inclinada, em chapa de fibrocimento, ou quando há mais do que uma telha partida, o trabalho deixa de ser de casa.
Substituir uma telha partida é um trabalho de dez minutos rodeado de meia hora de precauções. A parte técnica é quase toda ordem: as telhas sobrepõem-se como escamas, e para retirar uma tem de se levantar primeiro as que estão por cima dela.
Antes de subir, três perguntas honestas
- Que altura tem a cobertura? Uma moradia térrea com escada bem apoiada é uma coisa. Uma cobertura a dois ou três pisos é outra, e não é a inclinação que causa a maior parte dos acidentes, é a subida e a descida.
- De que é feita? Telha cerâmica sobre ripado de madeira suporta o peso de uma pessoa se ele for distribuído. Chapa de fibrocimento não suporta, e as chapas antigas podem conter amianto, que não se corta, não se fura e não se parte: esse material tem regras próprias de manuseamento e não é assunto de bricolage.
- Está seco? Telha molhada, com musgo ou com orvalho da manhã é escorregadia de uma forma que não se avalia bem a partir do chão.
Isto não é um convite a subir. É a descrição das condições em que o trabalho é razoável, e da fronteira a partir da qual não é.
O trabalho, por ordem
- Apoie a escada em superfície firme, com um ângulo aproximado de um para quatro, e amarre ou peça a alguém que a segure. Trabalhe sempre com outra pessoa em casa a saber o que está a fazer.
- Distribua o peso. Pise sobre as ripas, nunca no meio das telhas, e use uma tábua larga apoiada em dois pontos para se deslocar. A telha é frágil ao centro e resistente nos apoios.
- Levante as telhas de cima. Cada telha assenta sobre as duas de baixo. Erga com cuidado as que cobrem a partida, calçando-as com uma cunha de madeira para as manter no sítio.
- Retire os pedaços todos. Um fragmento esquecido debaixo da fiada faz a telha nova assentar torta e cria a próxima fuga.
- Verifique o que está por baixo. Aproveite o único momento em que consegue ver: se a ripa ou a madeira estiver escura, mole ao toque, ou se houver tela rasgada, o trabalho já não é substituir uma telha.
- Coloque a telha nova a deslizar por baixo da fiada superior, com a mesma sobreposição das vizinhas.
- Argamassa só onde existia. Em coberturas tradicionais, apenas certas telhas são fixadas, precisamente para o conjunto respirar e trabalhar. Fixar tudo é um erro comum e caro.
Enquanto não é possível reparar
Se está a chover e a reparação tem de esperar, o trabalho útil faz-se por dentro e não por cima. No sótão ou no vão, siga a água até ao ponto de entrada, coloque um recipiente, e proteja o que estiver por baixo. Uma marcação a lápis no barrote, no sítio onde a água aparece, poupa metade do diagnóstico depois. Subir a um telhado molhado para tapar uma telha é a troca errada entre um teto manchado e uma queda.
O calendário aqui não dá margem
Em Faro, outubro, novembro e dezembro trazem 221,5 mm de chuva, 48,7% dos 455,1 mm da normal anual, e 7,9 dos 15,6 dias por ano com 10 mm ou mais. Fonte: IPMA, Normais Climatológicas 1991-2020, estação de Faro.
Quer dizer que a cobertura não é testada gradualmente: passa de um verão quase sem chuva para o trimestre mais molhado do ano. Uma telha partida encontrada em agosto tem semanas de tempo seco para ser tratada com calma. A mesma telha descoberta em novembro é uma marcação a disputar com toda a gente que também acabou de ver a mancha no teto.
Quando é trabalho de quem tem equipamento
Quando a cobertura é alta ou muito inclinada, quando é de fibrocimento, quando há mais do que uma ou duas telhas partidas, quando a madeira por baixo está húmida, quando a fuga não coincide com a telha, ou quando há chaminé, claraboia ou rufo pelo meio, que são os pontos onde a água entra com mais frequência. Nesses casos o que se contrata não é a telha, é o acesso em segurança e a leitura do que está por baixo. A página de reparação de telhados no Algarve explica o que a visita inclui.
O detalhe que engana toda a gente
A água entra num ponto e cai noutro. Corre pela face inferior da telha, pela tela ou pela madeira, e pode aparecer metros ao lado, muitas vezes mais abaixo na direção da inclinação. Por isso a telha partida que se vê do chão nem sempre é a que está a molhar o teto, e uma reparação feita apenas por baixo da mancha resolve durante uma semana. Quem repara bem procura a entrada, não a saída.
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